RO: Polícia faz perícia em acampamento do MST, em Cacaulândia

Os sem terra abandonaram o acampamento, às pressas, após o ataque, deixando vários objetos no local. (Foto: Franciele do Vale)

Local foi limpo por supostos donos da terra, o que dificultou a perícia, barracos foram incendiados na terça, 5, e acampados expulsos do local

A Polícia Técnica Cientifica (Politec), realizou na tarde desta quarta-feira (6), o trabalho de perícia no acampamento Hugo Chaves, do Movimento Sem Terra (MST), localizado na RO-140, em Cacaulândia (RO), na região do Vale do Jamari.

Os barracos do acampamento foram incendiados na terça-feira (5), após os integrantes serem expulsos do local por um grupo de homens armados, na última segunda-feira (4). Cerca de 300 pessoas estão alojadas provisoriamente no Ginásio Alberi Ferraço, na cidade vizinha, Ariquemes (RO).

De acordo com perito Gutemberg Araújo, os trabalhos periciais no local foram dificultados, uma vez que parte da área onde estavam os destroços dos barracos queimados, foi limpa antes da chegada da perícia.

“Ao chegar, nos deparamos com a área do incêndio modificada e limpa com passagem de tratores. Não teremos como fazer o levantamento de como aconteceu o sinistro. O laudo deverá ser confeccionado como inconclusivo”, informou o perito.

As chamas não atingiram todas as moradias dos acampados, e cerca de 15 barracos feitos de palha de coqueiro e pedaços de madeira, não foram queimados. No interior das moradias, os integrantes do MST que saíram do local às pressas, deixaram para traz vários objetos pessoais, mobília e roupas.

Ao G1, dois homens que preferiram não se identificar,  afirmara ser proprietários das terras onde estavam os  acampados do MST. Eles limpavam a área do incêndio no momento em que a perícia chegou ao local.  Os homens disseram ainda não ter conhecimento do suposto grupo que atacou os sem terra e nem quem teria colocado fogo nos barracos.

O delegado regional, Thiago Flores contou que foi aberto um inquérito policial para apurar os fatos ocorridos no acampamento Hugo Chaves. Deve ser averiguado desde o caso dos integrantes agredidos, a expulsão do MST do local por homens armados e ainda o incêndio nos barracos.

Flores destacou que a apuração está no início, e ainda não há nenhum suspeito identificado. Ele reiterou ainda que a investigação deve apontar se os ataques ao acampamento têm ligação com conflitos por terra ou foi algo pontual. O delegado esclareceu também que as pessoas que violaram a área do incêndio antes da chegada perícia, podem responder criminalmente pelo ato.

A Ouvidoria Agrária do Incra informou que está prestando apoio aos acampados e que será realizada uma reunião em Porto Velho, para discutir a situação dos sem terra.

Alojamento provisório Após serem expulsos do acampamento, os integrantes do MST, foram trazidos para Ariquemes, e estão alojados provisoriamente no Ginásio Alberi Ferraço. No local, há cerca de 300 pessoas entre homens, mulheres, idosos e crianças.

A coordenadoria dos acampados informou que as pessoas estavam no local há cerca de três anos, e alega que parte da terra onde estavam pertence à União e a outra parte teria sido cedida por sitiante da região.

Três moradores do acampamento afirmaram terem sido vítimas de agressão por homens  armados de uma propriedade próxima ao local no último sábado (2). Eles alegam que um grupo de cinco homens chegaram em um carro, invadiram o acampamento e iniciaram os atos de vandalismo e agressão.

Na manhã de segunda-feira (4), as vítimas foram solicitadas a realizarem o exame de corpo de delito na sede do Instituto Médico Legal, em Ariquemes (RO). O segundo ataque aconteceu na tarde de segunda, quando novamente homens armados invadiram o local, e teriam atirado contra os acampados, que deixaram o acampamento às pressas. Nessa ocasião, ninguém ficou ferido.

G1Ariquemes e Vale do Jamari

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