Polícia Civil do Rio planeja fechar até 30% dos postos de polícia técnica

IML de Teresópolis pode ser fechado pela Polícia Civil para cortar gastos com manutenção. (Crédito: Reprodução / Google Street View)

Governo quer cortar gastos com manutenção das unidades. Medida prevê que apenas alguns postos concentrem o trabalho da perícia de municípios vizinhos. Hoje, o estado tem 36 unidades, pessoas podem precisar se deslocar para outros municípios

A Polícia Civil do Rio planeja fechar postos da polícia técnica nas próximas semanas para cortar gastos de manutenção das unidades. A medida prevê que apenas alguns postos concentrem o trabalho da perícia de municípios vizinhos. O estado do Rio tem hoje 36 postos de polícia técnica e científica, que incluem os institutos de medicina legal, de criminalística e os postos regionais de polícia técnica. Se a ideia for executada, autópsias e perícias criminais de cidades próximas passariam a ser feitas em apenas uma unidade.

Por exemplo: se o posto de Teresópolis, na Região Serrana, for fechado, uma vítima de violência teria que fazer exame de corpo de delito no posto regional de Petrópolis ou Nova Friburgo, cidades à 55 e 77 quilômetros de distância, respectivamente. Um funcionário de um dos postos de polícia técnica do interior, que não quis ser identificado, afirma que a informação passada para os servidores é que 30% das unidades serão fechadas no estado. De acordo com o funcionário, a medida pode provocar aumento nos gastos das famílias, que precisarão, em vários casos, viajar para liberar corpos.

“O problema não é só a Defesa Civil. A família tem que estar presente pra levar documentação, pra fazer a liberação de cadáver, pra fazer a liberação do corpo. E a família nem sempre tem poder aquisitivo nem estrutura pra isso. A família é quem arca com esses gastos sozinha. Muitas pessoas, provavelmente, vão deixar de reclamar seus corpos. Isso, eu acho, que vai acabar lotando as geladeiras de alguns IMLs de corpos não reclamados”, diz ele.

Segundo vereadores de municípios da Região Serrana, uma negociação está em curso para que os postos não sejam desativados, mas funcionem em regime de escala, alternando os fins de semana. O fechamento seria mais um episódio da crise financeira do estado. Nos últimos meses, a Polícia Civil enfrenta o racionamento de combustível para as viaturas e até a falta de papel e tinta para a impressão de registros de ocorrência.

O Departamento Geral de Polícia Técnico-Científica do estado informou que a medida considera o cenário atual de contingenciamento financeiro. O antropólogo e especialista em segurança pública, Paulo Storani, considera a ideia uma medida extrema, que causará transtornos a parentes e vítimas.

Ele diz que “não há o que se fazer. Lógico que será um preço a se pagar pelo cidadão, que vai pagar da pior maneira possível, por não ter atendimento próximo a seu local de residência, ter que buscar muito mais longe porque houve um remanejamento dessa estrutura, quando, na verdade, deveria promover a facilidade no acesso.”

A Polícia Civil disse que realiza um estudo de “medidas de gestão” por causa do cenário de dificuldade financeira. O objetivo seria permitir que a instituição continue realizando as suas funções e reduzir o impacto à sociedade.

Na cidade do Rio, também por redução de gastos, cinco centrais de flagrantes foram desativadas e 14 delegacias passaram a encaminhar as ocorrências para a Cidade da Polícia, no Jacaré, região com histórico de conflitos na Zona Norte. Na primeira semana de operação, duas mulheres foram baleadas dentro de um carro da Polícia Militar, enquanto se dirigiam para o novo local para fazer a ocorrência de um assalto.

CBN – André Coelho e Nathalia Toledo

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